Observatório do Clima mostra que futuro Congresso será mais hostil ao meio ambiente

Observatório do Clima mostra que futuro Congresso será mais hostil ao meio ambiente

O Congresso brasileiro terá uma composição mais hostil às agendas ambiental e climática a partir da próxima legislatura, segundo um levantamento do Observatório do Clima divulgado esta terça-feira.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Ueslei Marcelino - Reuters

A análise do Grupo de Trabalho Congresso, do Observatório do Clima, indica que 68,9% dos parlamentares na próxima legislatura apresentam baixa ou muito baixa convergência ambiental.

O índice mede o grau de aproximação entre a atuação e os votos dos parlamentares e as agendas de proteção ambiental e climática, sendo dividido em quatro categorias, de "Muito Baixa" a "Muito Boa".

No Senado, o levantamento aponta um cenário ainda mais desfavorável, com 64 dos 81 senadores, ou 79%, classificados nas faixas de convergência "Baixa" ou "Muito Baixa".

Na legislatura atual, 58 senadores, ou 71,6%, estão classificados nessas duas categorias.

As faixas "Boa" e "Muito Boa", por seu lado, recuam de 19 para 17 cadeiras na próxima composição.

Segundo o levantamento, a degradação expectável da defesa das políticas ambientais no futuro Senado está relacionada, entre outros fatores, com o crescimento do Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, que passa de 15 para 28 cadeiras na câmara alta do Parlamento brasileiro, passando a representar 34,6% da Casa Legislativa.

O estudo também sublinha que os novos senadores apresentam, em média, menor convergência ambiental do que os parlamentares que foram reeleitos.

Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares, ou 67,3% dos assentos, estão nas faixas "Baixa" ou "Muito Baixa", contra 63% na legislatura anterior.

O grupo classificado nas faixas "Boa" ou "Muito Boa" diminuiu de 181 para 168 deputados, em resultado do crescimento da bancada do PL, que passou de 98 para 121 parlamentares, segundo a análise.

Considerando o conjunto do Congresso, 409 das 594 cadeiras são classificadas nas faixas "Baixa" ou "Muito Baixa", o equivalente a 68,9% da composição projetada para a próxima legislatura, que terá início em fevereiro de 2027.

O levantamento considera, entre outros elementos, votações sobre licenciamento ambiental, comércio de emissões, terras indígenas, transição energética, proteção dos biomas e vetos presidenciais relacionados com o ambiente.

Para o Observatório do Clima, a nova correlação de forças aumenta a dificuldade para aprovar medidas de proteção ambiental e eleva o risco de retrocessos na agenda climática.

Entre os possíveis retrocessos, a entidade cita o enfraquecimento dos órgãos ambientais, a redução ou extinção de áreas protegidas, a diminuição da proteção das florestas e biomas e uma eventual amnistia a "grileiros" (falsificadores de títulos de propriedade).

"Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam no [domínio do] clima e meio ambiente, e muita preocupação, tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática", afirma a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, citada na nota.

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